Elo e Pelé voltam ao pós-jogo do Brasil com Nosso sonho continua, campanha da AlmapBBDO que recria por IA a voz do Rei para reler sua última carta. O artigo atravessa futebol, memória, bets, marcas, responsabilidade criativa e o longo intervalo entre a quinta e a sexta estrela.
O apito final ainda doía quando a propaganda entrou em campo. A Elo escolheu Pelé, uma carta antiga e uma pergunta que o placar não encerra: o que ainda nos faz torcer?
O hexa ficou para depois. A campanha procura o que sobra da torcida quando o placar já não oferece consolo.
Criada pela AlmapBBDO, Nosso sonho continua recupera a última carta de Pelé depois da eliminação do Brasil em 2026. Enquanto o pós-jogo se enchia de meme, aposta e conteúdo de ocasião, a Elo puxou a conversa para um lugar menos instantâneo: a memória.
Por onde este texto passa
- A escolha da Elo de responder à derrota com a última carta de Pelé
- O que muda quando uma marca troca a piada pronta por alguns segundos de silêncio
- A seca do hexa e o desgaste de uma promessa repetida a cada ciclo
- O avanço das bets sobre a experiência de assistir e torcer
- A recriação da voz de Pelé e a responsabilidade de trabalhar com um legado
Filme da AlmapBBDO para a Elo, narrado com uma recriação por inteligência artificial da voz de Pelé.
Depois do apito final, antes mesmo de a frustração encontrar palavras, chega a propaganda. Ela já vive espremida nas laterais da transmissão, nos intervalos que encolhem e nas odds que mudam enquanto a bola corre. Quando o Brasil cai, ela corre junto. Às vezes para rir. Às vezes para consolar. Quase sempre para não desaparecer da conversa.
A Elo entrou com outro tipo de pressa: a de tentar juntar, pelo próprio nome, um vínculo que o futebol brasileiro vive deixando escapar.
A voz reconstruída do Rei lê sua última mensagem aos brasileiros que amam o jogo que o país ajudou a transformar em cultura. Um futebol medido por cinco estrelas, mas reconhecido antes delas pelo jeito de tocar, inventar e narrar a bola.
O Brasil ajudou a transformar gesto em patrimônio. A taça erguida para o mundo, a camisa 10 como medida de craque, a volta olímpica, o gol que Pelé não fez, Jairzinho marcando em todos os jogos de 1970, o único tricampeão mundial como jogador. Aos poucos, a bola virou uma assinatura nacional, mesmo quando o país já não sabia direito como assiná-la.
Por isso a frase “o Brasil já não é o país do futebol” continua incomodando. Ela soa fácil demais para uma história que nunca foi simples.
Ainda somos. O problema é reconhecer de que maneira.
A fase é dura e já dura demais. O receio não vem apenas de perder outra Copa. Vem de ver a camisa pesar nos ombros de quem entra em campo e ficar leve demais na boca de quem tenta explicar a queda depois.
A carta de Pelé aparece como um saculejo de luva de pelica. Chama a história de volta sem usá-la como moldura dourada. Lembra que memória também pode servir para cobrar o presente.
História, aqui, não fica parada em museu. Ela guarda o que o país fez com a bola, mostra o que deixou de fazer e obriga a perguntar que parte desse repertório ainda pode ser construída agora.
Quem entende de formação, ciclo, desenho de jogo e bastidor tem críticas de sobra. Elas precisam existir. O passo seguinte é mais incômodo: o que muda na prática depois de nomear tudo o que deu errado?
Para quem torce com o corpo inteiro, restam perguntas de outra ordem. O que desse sofrimento pertence ao amor pelo jogo? O que já virou hábito de fracasso?
E que futebol ainda seria capaz de devolver orgulho sem depender da saudade?
Brasil ........................................ 1
Noruega ....................................... 2
Tentativas do hexa desde 2006 .................. 6
Saudades de reconhecer o Brasil em campo ........ não cabe no placar
A Elo entrou no pós-jogo com uma carta
Logo depois da eliminação brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026, a Elo colocou no ar Nosso sonho continua, construído a partir da última carta autoral de Pelé.
A peça reúne imagens da trajetória do Rei e usa inteligência artificial para recriar sua voz. Estreou em rede nacional, ganhou digital e OOH e circulou também pelos perfis de Cafu, Ronaldinho Gaúcho e Zico. Nas mãos desses nomes, o filme deixa de parecer apenas uma entrega de mídia e se aproxima de um rito público de torcida.
Na superfície, há uma homenagem. Na estratégia, há uma leitura precisa de tempo. A Elo ocupa o intervalo entre a frustração ainda quente e o cinismo que costuma chegar logo depois, quando as marcas quase sempre escolhem o meme ligeiro ou o silêncio sem risco.
A campanha evita a corneta. Também não tenta explicar a eliminação. Coloca uma carta no lugar da resposta pronta e devolve ao torcedor um vínculo que existia antes do placar, antes do patrocínio e antes do conteúdo de oportunidade.
Usar Pelé depois de uma derrota significa mexer no arquivo sentimental mais delicado do futebol brasileiro. A marca ganha força com esse arquivo e, ao mesmo tempo, assume a responsabilidade de não tratá-lo como banco de imagens.
Uma carta de 2022 voltou a doer em 2026
A última carta de Pelé nasceu fora da propaganda. É esse deslocamento que dá peso ao filme.
"A vida é oportunidade. O que fazemos com ela cabe a cada um de nós. Acertamos e erramos. Na vitória, recebemos a celebração. Na derrota, o aprendizado. A vida sempre é generosa e oferece novos recomeços. A cada dia que passa, iniciamos um novo caminho. E neste ciclo, alimentamos sonhos que nunca morrem, independente dos tropeços da jornada.
Isso serve para todo mundo, mas quando o seu sonho é ser jogador de futebol, as oportunidades são muito mais raras e os sonhos muito mais longínquos. Já os tropeços não são mais doloridos que o da vida de ninguém. Porém, são julgados por muito mais pessoas, não acha? E, para ser justo, as vitórias são muito mais celebradas também.
Apesar da dor que estamos sentindo com a nossa eliminação, eu peço aos brasileiros que se lembrem do que nos trouxe até as cinco primeiras estrelas que temos no peito. É o amor que nos move.
Eu não sei o que nos faz sermos tão loucos por futebol. Se é o amor pela união de amizades verdadeiras em torno do esporte, pelo grito do gol ou por esquecer de todos os problemas que enfrentamos, mesmo que seja por apenas 90 minutos. Talvez o amor pelo combate à pobreza, à fome e às drogas, que o futebol assume em tantas comunidades que formam um país tão imenso.São muitas as virtudes do esporte mais bonito. Ainda mais aqui no Brasil.
Não importa o motivo. O que importa é que essa torcida nos uniu, em um momento que precisávamos tanto de união.
E meu sonho é que este sentimento entre nós e pelo nosso país não seja apenas passageiro. Este objetivo pode parecer impossível. Porém, quando eu era garoto, eu tive outro sonho que também parecia: vencer a Copa do Mundo para o meu pai.
Falando em sonhos, não pensem que os sonhos dos nossos atletas acabaram. Eu sei que eles ainda sonham com a sexta estrela, assim como eu sonhava quando era um menino. A nossa conquista foi apenas adiada.
Aos meus amigos atletas e comissão técnica da Seleção, eu deixo a minha admiração, solidariedade e amor. A todos os brasileiros, eu desejo que a união e o amor que nos une no esporte transcenda para a vida inteira. O sonho é de todos nós. Amor, amor e amor."
Carta publicada por Pelé em 2022. Reprodução integral no filme da campanha.
Pelé publicou o texto depois da eliminação no Catar, já internado. Falou de erro, recomeço, oportunidade, amor e união. Quatro anos depois, as mesmas palavras voltam a circular diante de outra queda. A carta envelheceu bem demais para um futebol que continua tropeçando no mesmo ponto.
A cada Copa, o Brasil troca quase tudo e preserva a pergunta. Muda o técnico, muda a promessa do ciclo, muda o craque encarregado de carregar o imaginário e muda o filme de campanha. O vazio continua parecido: onde foi parar o futebol que o mundo aprendeu a chamar de brasileiro?
O passado também chega editado. A lembrança de 1970 guarda menos bastidor, política, dor e cálculo do que invenção. A memória esportiva é um VT montado por gerações. Ainda assim, alguma coisa sobrevive ao corte: a impressão de que o Brasil conseguia criar enquanto vencia.
Por isso Pelé continua funcionando como medida simbólica. Seu nome carrega a lembrança de um futebol capaz de juntar resultado e linguagem na mesma jogada.
A Seleção perdeu o jogo. O incômodo ficou maior
A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas, encerrou a campanha de 2026 e levou a espera pelo título a seis Copas consecutivas. O Brasil não saía tão cedo de um Mundial desde 1990.
O placar foi só a porta de entrada. Vieram as críticas ao jogo, à postura, às decisões de Carlo Ancelotti, ao peso da geração, ao papel de Neymar. No meio do ruído, uma cobrança menos técnica continuou voltando: o Brasil pode perder, mas por que perdeu parecendo tão distante daquilo que promete ser?
A Seleção nunca levou apenas onze jogadores a campo. Levou uma versão possível do país, com alegria, política, festa, disputa, raça, classe, trauma e catarse misturados na mesma camisa. Durante décadas, foi também uma desculpa coletiva para abraçar desconhecidos e brigar com gente íntima.
A carta toca nessa ferida sem dar nome a ela. Fala em sonho, palavra que em 2026 já chega gasta de tanto passar pela publicidade, pelo esporte e pelas promessas de ciclo. O torcedor não deixou de sonhar. Ficou desconfiado de quem usa o sonho como peça de reposição.
A Elo acerta quando abre espaço para essa desconfiança. O filme corre risco sempre que a beleza da homenagem encobre uma emoção já repetida demais. Funciona melhor nos intervalos, quando a voz de Pelé não vende uma resposta e deixa a pergunta respirar.
O gráfico abaixo organiza a trajetória do Brasil nas Copas. Não pretende reduzir futebol a barras. Serve para dar forma visual a um intervalo que a torcida já sente no corpo: o país das cinco estrelas passou seis torneios tentando desenhar a sexta.
Em 2026, o torneio cresceu para 48 seleções e ganhou uma fase de 32. Ainda assim, a derrota para a Noruega colocou o Brasil no mesmo território de 1990, fora antes das quartas. É a caminhada mais curta da Seleção em 36 anos.
Nota: não houve Copa em 1942 e 1946. A escala aproxima formatos diferentes para comparar o ponto alcançado pelo Brasil em cada edição. Em 2026, a fase de 32 precedeu as oitavas.
O gráfico não escolhe culpados. Mostra outra coisa: desde 2006, o hexa deixou de parecer uma conquista ao alcance e virou uma promessa reconstruída a cada quatro anos, sempre com material novo e uma rachadura antiga.
Depois da derrota, cada marca escolheu seu vestiário
A Elo não ficou sozinha no pós-jogo. Outras marcas correram para conversar com a torcida. Algumas usaram humor, outras acolhimento, outras apenas mantiveram o calendário vivo, como quem sabe que a Copa acaba para a Seleção, mas continua rendendo entregas no feed.
A publicidade aprendeu a responder em tempo real e, às vezes, responde antes de entender o que aconteceu. O meme sai enquanto o luto esportivo ainda procura um lugar. O trocadilho alivia, o post de oportunidade ganha circulação, a marca marca presença. Tudo funciona no relatório. Nem sempre funciona na memória.
Esse contraste ajuda a ler a campanha. No meio de peças que tentam administrar o tombo, a carta de Pelé desacelera. Não chega para cutucar a ferida nem para fechá-la. Pede alguns segundos antes da próxima rolagem de tela.
O outro placar da Copa foi o das bets
A Copa de 2026 expôs um jogo que corria ao lado do futebol. Enquanto a bola circulava, as bets avançavam sobre a experiência de assistir, comentar e torcer.
Não ficaram restritas ao intervalo. Entraram nas odds em tempo real, na fala do apresentador, na recomendação do influenciador e em integrações que vestem publicidade como entretenimento. Quando a fronteira some, a marca deixa de apenas oferecer uma aposta. Ela ajuda a tornar o ato de apostar parte natural do jogo.
A publicidade de apostas ocupa um território ligado a impulso, perda, ansiedade, dívida e ilusão de controle. A Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 estabelece regras de jogo responsável e impõe limites a promessas de ganho fácil, comunicação enganosa, apelo a menores e peças sem advertência. A existência da regra, porém, não encerra a disputa cultural em torno da exposição.
A Associated Press registrou o aumento do escrutínio sobre o setor durante a Copa. Segundo a reportagem, um levantamento da Klavi com 1,2 milhão de pessoas indicou que a parcela de brasileiros apostando passou de 11% antes do torneio para cerca de 35% no fim de junho. O dado vem de uma empresa privada e deve ser lido dentro desse recorte, mas ajuda a dimensionar a aceleração do hábito.
O IEPS reuniu evidências sobre custos sanitários, econômicos e sociais associados à expansão das apostas online, entre eles endividamento, transtorno do jogo e sofrimento mental. Em audiência registrada pela Câmara, o Ministério da Saúde informou crescimento de quase 140% na procura por atendimento no SUS relacionado a jogos online em cinco anos.
Nesse cenário, a Elo produz um contraste incômodo. Enquanto boa parte do mercado transformava a partida em gatilho de aposta, sua campanha tentava devolver o futebol ao campo do pertencimento. Não resolve a contradição da indústria. Pelo menos a coloca à vista.
Quando a partida vira uma sequência de probabilidades, a torcida corre o risco de deixar de ser linguagem compartilhada e virar linha de aposta. A carta de Pelé tenta caminhar na direção oposta.
A voz de Pelé voltou. E trouxe uma pergunta ética
A decisão mais delicada do filme está no som. A IA não inventa uma frase nova para Pelé. Reconstitui sua voz para narrar uma carta que já existia. Essa diferença importa, mas não elimina o peso simbólico da escolha.
Ler Pelé é uma experiência. Ouvi-lo depois de sua morte é outra. O timbre reduz distância, ativa lembrança, comove e também ajuda a vender a campanha. A publicidade conhece esse poder há muito tempo.
A pergunta técnica, sozinha, é pequena. Recriar bem não basta. É preciso saber por que a voz voltou, quem autorizou, que limites foram definidos e que relação a peça estabelece com o legado de quem morreu. Toda presença recriada vem acompanhada de uma responsabilidade real.
A Elo trabalha com uma carta pública e enquadra o uso como homenagem. Isso dá consistência à narrativa. Ainda assim, o case deixa uma questão útil para o mercado: quanto maior a capacidade de reproduzir uma pessoa, maior precisa ser o cuidado com o sentido atribuído a ela.
A tecnologia devolve timbre, pausa e textura. Contexto, intenção e consequência continuam nas mãos da criação. O atalho começa quando o legado vira matéria-prima emocional sem que a marca responda pelo que está fazendo com ele.
Por que a Elo escapou da resposta automática
Depois de uma eliminação, as marcas entram em modo de contingência. Algumas se calam. Outras correm para o post espirituoso. Outras mantêm a programação, fingindo que um 2 a 1 não atropelou semanas de planejamento.
A Elo procurou duração. Seu filme não disputa o primeiro riso nem a resposta mais compartilhável da noite. Tenta permanecer alguns minutos a mais num feed que costuma transformar a derrota em assunto vencido antes do dia seguinte.
Há também continuidade de posicionamento. A marca já vinha ocupando os territórios de “cartão do brasileiro” e “cartão da torcida brasileira”, em trabalhos com Wagner Moura e Michel Melamed. Pelé entra nessa plataforma como consequência, não como celebridade colada às pressas.
Brasilidade, porém, é um terreno minado na propaganda. Pode funcionar como espelho ou virar embalagem para qualquer coisa. O filme acerta mais quando reduz o volume, evita transformar a queda em slogan e aceita a pausa como parte da mensagem.
A melhor escolha da peça talvez seja o espaço que deixa entre uma frase e outra. Depois da derrota, o torcedor não precisava de mais uma ordem para acreditar. Precisava de tempo para elaborar o que tinha acabado de perder.
Toda marca quer um pedaço da camisa amarela
Em ano de Copa, cada categoria escolhe um sentimento para chamar de seu. Refrigerante quer comemoração. Banco quer confiança. Operadora quer conexão. Aplicativo quer conveniência. Bet quer adrenalina. A camisa amarela vira um território loteado por promessas.
O futebol brasileiro cobra um pedágio simbólico de quem entra. Não entrega somente audiência. Traz infância, família, periferia, raça, classe, nacionalismo, rádio, televisão, herói, vilão, promessa e trauma. Uma campanha pode escolher um pedaço desse repertório, mas não controla tudo o que vem junto.
Pelé condensa boa parte desse arquivo. Seu nome não funciona como o de uma celebridade comum. Aciona uma escritura afetiva assinada em campo, narrada no rádio, guardada em álbum de figurinhas e transmitida por gente que o viu para gente que só herdou a história.
A campanha parece entender esse peso. Pelé não entra como garoto-propaganda de ocasião. A carta funciona como freio: antes de pedir que o Brasil acredite outra vez, o filme volta ao ponto em que esse sonho ganhou forma.
O que o case ensina, sem virar cartilha
Timing não se mede apenas pela velocidade da resposta. Chegar rápido ajuda a participar da conversa. Chegar no tom certo define se a marca será lembrada depois que a conversa passar.
O humor é uma ferramenta poderosa, não uma obrigação de ofício. Algumas feridas aceitam ironia. Outras pedem silêncio, repertório e uma frase que não tente ser mais esperta do que o momento.
Legado exige pesquisa antes da execução. Sem Pelé, a campanha provavelmente cairia no repertório genérico do “vamos seguir juntos”. Com ele, a marca precisa lidar com quem o país foi, com quem acredita ter sido e com o que ainda tenta recuperar.
A IA atrai o primeiro olhar, mas não sustenta o filme. A carta, o contexto da derrota e a relação do torcedor com a voz é que dão sentido à tecnologia. Sem esse arranjo, restaria uma demonstração técnica bem produzida.
História não entra para perfumar a criação. Entra para impedir que ela seja rasa. Quando uma campanha convoca memória, precisa aceitar o peso, as contradições e a responsabilidade do que trouxe para dentro da peça.
Gerador de sonho: uma carta para o próximo ciclo
A Elo transformou a carta de Pelé em filme. O Dose prolonga a conversa com uma ferramenta simples: você escolhe as palavras e o gerador monta uma carta para o próximo ciclo. Não promete taça. Ajuda a nomear o que ainda falta em campo.
A carta gerada é simbólica. Não imita nem substitui Pelé. Apenas oferece um lugar para a torcida escrever depois do apito.
O sonho continua. A pergunta também precisa continuar
O Brasil continua querendo o hexa. A dúvida agora é outra: que ausência essa sexta estrela tenta preencher?
Toda eliminação monta sua mesa de culpados. Técnico, geração, esquema, CBF, gramado, pênalti, sorte. Há, porém, uma questão que escapa do debate tático e incomoda publicidade, futebol e país: que ideia de Brasil ainda procuramos dentro da Seleção?
A carta de Pelé não responde. E ganha força justamente por isso. Propaganda que fecha todas as perguntas costuma deixar pouco espaço para pensamento.
O filme vale mais quando preserva essa abertura. Continuar sonhando não deveria significar reciclar a mesma campanha emocional a cada quatro anos. O futebol brasileiro perdeu campeonatos e, por enquanto, perdeu também parte do modo como encantava.
Encanto não volta por decreto, slogan ou promessa de ciclo. Volta em gesto.
Talvez a carta seja útil por não fingir que está tudo bem. Ela devolve história e memória ao presente, não como endereço permanente, mas como ponto de retorno quando o caminho fica difícil de reconhecer.
O sonho continua. Para permanecer vivo, porém, precisa sair da frase bonita que vem depois da derrota. Precisa reaparecer na base, na formação, na coragem de jogar, na responsabilidade de construir e na imaginação de um país que ainda sabe fazer a bola significar algo além do resultado.
- Campanha
- Nosso sonho continua / A última carta do Rei
- Anunciante
- Elo
- Agência
- AlmapBBDO
- CCO
- Pernil
- VPs de criação
- Fernando Duarte e Henrique Del Lama
- Direção executiva de criação
- Philippe Degen
- Direção de criação
- Dudu Barcelos, Eduardo Vares, Francis Alan, Gustavo Tasselli e Iron Brito
- Criação
- Bernardo Silveira, Felipe Paganoti, Igor Pontes e Marcelo Carvalho
- Produtora de imagem
- Anonymous Content BR
- Direção
- Quemuel Cornelius
- Produtora de áudio
- Satélite Áudio
Perguntas diretas sobre Elo, Pelé e a campanha
O que é Nosso sonho continua?
É uma campanha institucional da Elo criada pela AlmapBBDO após a eliminação do Brasil na Copa de 2026. O filme retoma a última carta autoral de Pelé para falar de sonho, recomeço, união e vínculo com a torcida.
Quem assina a criação?
A AlmapBBDO criou a campanha para a Elo. A ficha técnica divulgada ao mercado traz Pernil como CCO, Fernando Duarte e Henrique Del Lama como VPs de criação e Philippe Degen na direção executiva de criação.
A campanha recriou a voz de Pelé com IA?
Sim. A Elo e a imprensa especializada informam que a narração foi produzida com tecnologia de inteligência artificial para recriar a voz de Pelé a partir de uma carta escrita por ele.
Em que momento o filme foi lançado?
A peça entrou no ar depois da derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas da Copa de 2026, resultado que estendeu a espera brasileira pela sexta estrela.
Por que o trabalho merece atenção do mercado?
Porque escolhe uma resposta menos automática para o pós-derrota e coloca na mesma conversa memória, legado, IA, futebol, timing e responsabilidade de marca. O interesse está tanto no que o filme diz quanto no modo como decide baixar o volume.
Referências
ELO. As palavras de Pelé para o Brasil. Disponível em: <https://www.elo.com.br/campanhas/ultimacarta/>.
MEIO & MENSAGEM. Elo homenageia torcida com última carta autoral de Pelé. Disponível em: <https://www.meioemensagem.com.br/comunicacao/elo-homenageia-torcida-com-ultima-carta-autoral-de-pele>.
PORTAL DA PROPAGANDA. Elo resgata carta autoral de Pelé em nova comunicação que inspira o orgulho de ser brasileiro. Disponível em: <https://www.portaldapropaganda.com.br/noticias/41645/elo-resgata-carta-autoral-de-pele-em-nova-comunicacao-que-inspira-o-orgulho-de-ser-brasileiro/>.
PROPMARK. Elo resgata última carta de Pelé para falar de união e esperança da torcida brasileira. Disponível em: <https://propmark.com.br/anunciantes/elo-resgata-ultima-carta-de-pele-para-falar-de-uniao-e-esperanca-da-torcida-brasileira/>.
EXAME. Elo recria voz de Pelé com IA em campanha sobre orgulho de ser brasileiro. Disponível em: <https://exame.com/marketing/elo-recria-voz-de-pele-com-ia-em-campanha-sobre-orgulho-de-ser-brasileiro/>.
FIFA. Novo formato da Copa do Mundo 2026. Disponível em: <https://www.fifa.com/en/articles/article-fifa-world-cup-2026-mexico-canada-usa-new-format-tournament-football-soccer>.
FIFA. Histórico da Seleção Brasileira em Copas. Disponível em: <https://www.fifa.com/en/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/brazil-team-profile-history>.
FIFA. Brasil x Noruega, Copa do Mundo 2026. Disponível em: <https://www.fifa.com/en/match-centre/match/17/285023/289288/400021532>.
REUTERS. Brazil tries to come to terms with another early World Cup exit. Disponível em: <https://www.reuters.com/sports/soccer/brazil-tries-come-terms-with-yet-another-early-world-cup-exit-2026-07-06/>.
ASSOCIATED PRESS. Scrutiny mounts over Brazil sports betting industry. Disponível em: <https://apnews.com/article/brazil-world-cup-gambling-bets-sports-soccer-f68b603d355ac250da11d183f5cd71db>.
LEGISWEB. Portaria SPA/MF nº 1.231/2024. Disponível em: <https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=462714>.
IEPS. A Saúde dos Brasileiros em Jogo. Disponível em: <https://ieps.org.br/saude-brasileiros-em-jogo-bets-apostas-impactos-saude/>.
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Ministério da Saúde revela aumento dos atendimentos de saúde mental no SUS por vício em apostas. Disponível em: <https://www.camara.leg.br/noticias/1277447-ministerio-da-saude-revela-aumento-dos-atendimentos-de-saude-mental-no-sus-por-vicio-em-apostas/>.
Observação editorial: nas fontes abertas consultadas até a publicação deste texto, não foi localizada declaração pública específica de criativos da AlmapBBDO ou da administração da marca Pelé sobre este filme além das informações de campanha e ficha técnica divulgadas à imprensa especializada.



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