Natal 2025 da Hering destaca brasilidade com Bruna Marquezine, Seu Jorge e releitura de Tim Maia

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Em “Ícone do Brasil. Ícone do Natal”, a Hering troca o Natal importado por um repertório daqui. Em vez de neve, escolhe Tim Maia. Em vez de jingle efêmero, escolhe uma canção que já circula na memória do país. E, com isso, tenta fazer uma coisa simples e difícil ao mesmo tempo: parecer familiar sem soar preguiçosa.

Hering revisita Tim Maia com Bruna Marquezine e Seu Jorge e veste o Natal com memória brasileira

Criada pelo 302 Studio, a campanha reúne Bruna Marquezine e Seu Jorge para reinterpretar “O Descobridor dos Sete Mares” e reforçar a assinatura “Ícone do Brasil. Ícone do Natal”. A música também foi disponibilizada no Spotify, ampliando a campanha para além do filme.

O movimento faz sentido. Em vez de disputar espaço com o kit de símbolos natalinos que poderia servir para qualquer marca de qualquer país, a Hering reforça o seu terreno natural: um fim de ano feito de música, memória coletiva e aquela mistura carinhosa entre festa e simplicidade que o Brasil reconhece rápido.

O que a campanha tenta vestir aqui não é só coleção. É clima. E clima, quando funciona, vale mais do que figurino bonito.

A escolha do clássico e o retorno ao básico

Há uma inteligência silenciosa na escolha de Tim Maia. A música já chega carregada de afeto, travessia, encontro, recomeço. Tudo isso sem precisar ser explicitado em excesso. A Hering não inventa do zero esse repertório. Ela se acopla a ele.

Isso faz a campanha parecer menos interessada em criar uma grande novidade e mais interessada em reacender algo que o público já tem guardado. E, para uma marca que quer reforçar sua ideia de brasilidade essencial, essa decisão é bem mais coerente do que parecer “natalina” da maneira mais óbvia.

Quando uma marca conhece o próprio repertório, ela não precisa inventar emoção do zero. Basta escolher bem o que reacender.

A presença de Bruna e Seu Jorge ajuda a costurar isso. Os dois carregam reconhecimento, carisma e uma espécie de familiaridade pop que a campanha aproveita sem esforço aparente. Não estão ali para emprestar glamour vazio. Estão ali para dar corpo à assinatura.

O filme e o clima de bastidor

O filme trabalha com aquela estética híbrida de estúdio, ensaio e bastidor controlado. Tudo parece leve, quase improvisado, embora claramente desenhado para parecer assim. E essa escolha funciona porque aproxima sem perder acabamento.

O branco do cenário, o microfone, a dinâmica entre os dois, a sugestão de um universo musical quase tátil. Tudo isso cria um ambiente onde o básico não parece simples demais. Parece intencional.

Bruna Marquezine e Seu Jorge em estúdio minimalista durante a campanha de Natal da Hering
Bruna Marquezine e Seu Jorge cantam Tim Maia em campanha que tenta transformar memória afetiva em linguagem de marca.

A estética chega a sugerir um universo expandido possível. Dá vontade de imaginar um vinil, um making of mais longo, um desdobramento físico desse encontro. Nada disso aparece confirmado oficialmente. Mas a simples vontade de que exista já diz bastante sobre o acerto do clima construído.

Criatividade com propósito, música com consequência

Imagem da campanha de Natal 2025 da Hering usada para contextualizar sua frente social
A campanha tenta sair da simpatia sazonal e ganhar consequência concreta com uma frente de impacto social.

Quando a emoção ganha lastro

A campanha se conecta ao Pacto Contra a Fome para apoiar o projeto CEASA Desperdício Zero, voltado à redistribuição de alimentos. Segundo a comunicação da ação, o apoio da Hering prevê a redistribuição de 11,2 toneladas ao longo do ano.

Isso não transforma automaticamente a campanha em grande case de impacto social. Mas impede que ela fique restrita ao conforto de uma peça simpática. Dá consequência prática a um discurso de conexão e partilha que, no Natal, costuma aparecer mais como adorno do que como compromisso.

Essa camada social ajuda a campanha a não depender só da nostalgia. Em vez de se apoiar inteiramente no afeto, ela tenta dar a esse afeto um ponto de aterrissagem.

“É uma canção profundamente ligada à memória afetiva do país e carrega esse simbolismo de recomeço, encontros e trajetórias que se entrelaçam.”

A fala de Fernando Porto organiza bem o centro da campanha. O filme não trata a música como fundo bonito. Trata a canção como ponte entre lembrança, encontro e continuidade.

O que essa campanha ensina

Do ponto de vista criativo, o trabalho funciona como estudo de coerência de marca. Não se trata apenas de revisitar um clássico. A Hering trabalha com símbolos e repertórios que já fazem parte do cotidiano do público. Ao recuperar Tim Maia, coloca sua narrativa dentro de um imaginário que o brasileiro reconhece sem esforço.

A presença de Bruna Marquezine e Seu Jorge reforça outro ponto importante. O uso de protagonistas populares como parte de um repertório de marca que quer parecer acessível, afetuoso e nacional sem cair no populismo cenográfico.

Quando uma marca tem lastro cultural, o papel da criação não é inventar território. É redescobrir o que já pertence a ela sem repetir do mesmo jeito.

“A Hering acompanha as famílias brasileiras desde 1880 e é dessa relação afetiva que nasce o conceito.”

A lição aqui é clara. Criar familiaridade sem cair no automático. Conectar passado e presente. Transformar memória afetiva em linguagem publicitária sem transformar o clássico em caricatura.

O contexto maior, Hering em nova fase

A campanha também reforça um esforço mais amplo da marca de equilibrar tradição e relevância pop. O básico bem feito aparece aqui embalado por música, celebridades e uma brasilidade mais assumida, sem precisar se escorar em excesso de explicação.

O Natal de 2025 confirma esse movimento. A Hering tenta parecer menos uma marca que apenas ocupa a data e mais uma marca que encontra nela uma conversa compatível com seu próprio repertório.

E talvez seja esse o seu melhor acerto. Não usar o Natal para fantasiar a marca, mas usar a marca para dar ao Natal um sotaque mais reconhecível daqui.

É publicidade que usa o simples para comunicar o essencial. E isso ainda é o básico bem feito.


Créditos principais

Marca: Hering

Campanha: Ícone do Brasil. Ícone do Natal

Data: Natal 2025

Criação: 302 Studio

Protagonistas: Bruna Marquezine e Seu Jorge

Trilha: nova versão de O Descobridor dos Sete Mares, de Tim Maia

Distribuição musical: Spotify durante o período da campanha

Frente social: parceria com o Pacto Contra a Fome para o projeto CEASA Desperdício Zero

Impacto previsto: redistribuição de 11,2 toneladas de alimentos

Referências

MEIO & MENSAGEM. Hering celebra o Natal com Bruna Marquezine e Seu Jorge. Disponível em: <https://www.meioemensagem.com.br/comunicacao/hering-celebra-o-natal-com-bruna-marquezine-e-seu-jorge>.

CLUBE DE CRIAÇÃO. Seu Jorge e Bruna Marquezine no Natal da Hering. Disponível em: <https://clubedecriacao.com.br/ultimas/descobridor-dos-sete-mares/>.

B9. Hering chama Bruna Marquezine e Seu Jorge para reimaginar Tim Maia em campanha de Natal. Disponível em: <https://www.b9.com.br/175970/hering-bruna-marquezine-seu-jorge-natal/>.

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