Projeto de Elidio Santos revisita personagens e movimentos que ajudaram a construir direitos das mulheres — e convida o público a olhar o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras para além das homenagens comerciais.
O Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras costuma aparecer nas redes sociais cercado de flores, mensagens e homenagens. Mas a origem da data está longe de ser apenas comemorativa.
Ela está ligada às mobilizações de mulheres operárias no início do século XX, às greves por melhores condições de trabalho e às reivindicações por direitos políticos e sociais. Um dos episódios mais lembrados é a greve de operárias em Petrogrado, na Rússia, em 1917, que exigia “pão e paz” e ajudou a desencadear a Revolução Russa.
Segundo Elidio Santos, redator publicitário e criador da campanha, o projeto nasceu a partir da redescoberta do sentido histórico do 8 de março.
“Desde que tomei conhecimento da origem de luta da data, passei a olhar para minhas próprias referências de mulheres que transformam o 8 de março em um momento de reflexão e de exigência por novas conquistas no Brasil e no mundo. A icônica propaganda da Folha de S.Paulo criada por Washington Olivetto sempre foi uma peça que admirei pela forma como usava a narrativa para provocar reflexão.”
A partir dessa referência, surgiu a ideia criativa da série.
“Quando comecei a pensar na campanha, me perguntei: e se eu usasse a estrutura narrativa daquela peça, que partia de uma imagem associada ao fascismo para provocar reflexão crítica, mas agora para revelar mulheres progressistas, religiosas, intelectuais e lideranças populares que ajudaram a transformar a história? A ideia foi usar essa lógica para destacar trajetórias femininas que muitas vezes ficam fora das narrativas mais visíveis.”
Essa origem revolucionária do 8 de março inspira a série de vídeos criada por Elidio Santos, redator publicitário e criador de conteúdo, que decidiu transformar a data em uma sequência de homenagens narrativas a mulheres cujas trajetórias representam diferentes dimensões dessa luta.
As mulheres que aparecem na série
Em vez de apresentar apenas um panorama histórico, o projeto escolhe personagens que simbolizam conquistas importantes na história social brasileira.
Entre elas:
Mulheres indígenas
Lideranças que historicamente defendem território, cultura e vida, muito antes de políticas públicas voltadas à proteção de povos originários.
Carolina Maria de Jesus
Escritora que transformou a experiência da pobreza e da favela em uma das obras mais importantes da literatura brasileira do século XX.
Conceição Evaristo
Autora que consolidou o conceito de “escrevivência”, ampliando a presença de mulheres negras na literatura contemporânea.
Maria da Penha
Farmacêutica bioquímica cuja luta contra a violência doméstica levou à criação da Lei Maria da Penha, marco jurídico na proteção às mulheres no Brasil.
Mulheres do SUS
Donas de casa e moradoras da periferia que participaram do movimento popular de saúde e ajudaram a pressionar o Estado por acesso público à saúde — mobilização que contribuiu para a construção do Sistema Único de Saúde.
Narrativa curta, impacto histórico
Os roteiros foram pensados para vídeos curtos e diretos, com linguagem inspirada na estrutura narrativa da publicidade e da comunicação digital.
A proposta é simples: mostrar que muitas conquistas atribuídas a instituições, leis ou políticas públicas nasceram da organização de mulheres comuns.
Ao conectar essas histórias, a série reforça uma ideia central:
O 8 de março não é apenas uma data no calendário.
É uma memória viva de luta coletiva.




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