8 de Março de luta: campanha autoral relembra mulheres icônicas no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

Colagem em preto e branco com textura de retícula de jornal mostrando seis mulheres em quadros diferentes. Entre elas aparecem Maria da Penha, Conceição Evaristo e outras mulheres ligadas a lutas sociais e culturais no Brasil. A composição reúne retratos e cenas de organização coletiva, simbolizando as diversas trajetórias femininas que marcaram a história e as conquistas associadas ao Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras.
Retratos de mulheres que representam diferentes frentes de luta que marcaram o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras — da literatura de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo à luta por direitos, justiça e políticas públicas que transformaram a vida de milhões de mulheres no Brasil. A colagem integra a série especial criada por Elidio Santos para o Dose Publicitária.

Projeto de Elidio Santos revisita personagens e movimentos que ajudaram a construir direitos das mulheres — e convida o público a olhar o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras para além das homenagens comerciais.

O Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras costuma aparecer nas redes sociais cercado de flores, mensagens e homenagens. Mas a origem da data está longe de ser apenas comemorativa.

Ela está ligada às mobilizações de mulheres operárias no início do século XX, às greves por melhores condições de trabalho e às reivindicações por direitos políticos e sociais. Um dos episódios mais lembrados é a greve de operárias em Petrogrado, na Rússia, em 1917, que exigia “pão e paz” e ajudou a desencadear a Revolução Russa.

Segundo Elidio Santos, redator publicitário e criador da campanha, o projeto nasceu a partir da redescoberta do sentido histórico do 8 de março.

“Desde que tomei conhecimento da origem de luta da data, passei a olhar para minhas próprias referências de mulheres que transformam o 8 de março em um momento de reflexão e de exigência por novas conquistas no Brasil e no mundo. A icônica propaganda da Folha de S.Paulo criada por Washington Olivetto sempre foi uma peça que admirei pela forma como usava a narrativa para provocar reflexão.”

A partir dessa referência, surgiu a ideia criativa da série.

“Quando comecei a pensar na campanha, me perguntei: e se eu usasse a estrutura narrativa daquela peça, que partia de uma imagem associada ao fascismo para provocar reflexão crítica, mas agora para revelar mulheres progressistas, religiosas, intelectuais e lideranças populares que ajudaram a transformar a história? A ideia foi usar essa lógica para destacar trajetórias femininas que muitas vezes ficam fora das narrativas mais visíveis.”

Essa origem revolucionária do 8 de março inspira a série de vídeos criada por Elidio Santos, redator publicitário e criador de conteúdo, que decidiu transformar a data em uma sequência de homenagens narrativas a mulheres cujas trajetórias representam diferentes dimensões dessa luta.

As mulheres que aparecem na série


Em vez de apresentar apenas um panorama histórico, o projeto escolhe personagens que simbolizam conquistas importantes na história social brasileira.

Entre elas:


Mulheres indígenas

Lideranças que historicamente defendem território, cultura e vida, muito antes de políticas públicas voltadas à proteção de povos originários.


Carolina Maria de Jesus


Escritora que transformou a experiência da pobreza e da favela em uma das obras mais importantes da literatura brasileira do século XX.


Conceição Evaristo


Autora que consolidou o conceito de “escrevivência”, ampliando a presença de mulheres negras na literatura contemporânea.


Maria da Penha


Farmacêutica bioquímica cuja luta contra a violência doméstica levou à criação da Lei Maria da Penha, marco jurídico na proteção às mulheres no Brasil.

Mulheres do SUS


Donas de casa e moradoras da periferia que participaram do movimento popular de saúde e ajudaram a pressionar o Estado por acesso público à saúde — mobilização que contribuiu para a construção do Sistema Único de Saúde.

Narrativa curta, impacto histórico


Os roteiros foram pensados para vídeos curtos e diretos, com linguagem inspirada na estrutura narrativa da publicidade e da comunicação digital.

A proposta é simples: mostrar que muitas conquistas atribuídas a instituições, leis ou políticas públicas nasceram da organização de mulheres comuns.

Ao conectar essas histórias, a série reforça uma ideia central:

O 8 de março não é apenas uma data no calendário.

É uma memória viva de luta coletiva. 

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